“Deus é a caridade“. Ele tirou-te do nada. O corpo, com todas as suas faculdades, é seu presente. A alma, de infinito valor, recebeste-a de Deus; as criaturas ficaram sujeitas a ti; anjos te servem. Deus mesmo, por incompreensível amor, assumiu tua natureza; tornou-se menino, pobre; trabalhou, sofreu e morreu por ti. Fundou a Igreja para tua salvação, instituiu a santa Eucaristia, para se sacrificar muitas vezes por ti e para tu O teres presente. Como correspondes a tanto amor?Ainda outros benefícios te deu; teus pais, tuas condições de vida, tuas faculdades corporais e espirituais, inúmeras graças, repetido perdão – benefícios sem número. Quem é que dá e quem é que recebe? O Infinito – à ingrata criatura. E considera-te, talvez, apenas como o patrão ao criado? Não! Ele quer que lhe dês o nome de Pai. Ele consente em que O ames. Terá Deus alguma vantagem em prodigalizar-te tanto amor? Não! Antes expõe-se a novas ofensas. Seu amor é todo desinteressado, é sem fim, sem limites. Não te envergonhas de preferir ao amor de Deus a afeição a uma criatura e a interesses terrenos? Se outro tivesse recebido de Deus tudo que Ele te deu, talvez seu coração se abrasaria de amor. Mas tu?…(Sinzig, Frei Pedro. Breves Meditações para todos os Dias do Ano. 8ª Ed. Editora Vozes, 1944, p. 260)
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